Em 8 de agosto de 2026, um cientista cidadão registrou um vagalume da espécie Rimmed Window Firefly no condado de Yunlin, em Taiwan. Na mesma noite, uma pessoa em Hong Kong avistou um Pyrocoelia lunata na trilha da floresta de Tai Po Kau. Em 7 de agosto, outro participante registrou um Aspisoma lineatum perto do Rio Amazonas, em Macapá, no Brasil. Enquanto isso, observadores na França, Alemanha e Suíça registravam pirilampos europeus. Por toda a América do Norte, dezenas de pessoas contaram ter visto o vagalume Photinus pyralis piscando sobre parques em Nova York, Filadélfia e Grand Haven, em Michigan.
No mundo inteiro, as pessoas saem de casa nas noites quentes de verão para ver insetos brilhantes. Mas quem mora em países diferentes não usa o mesmo nome para eles. A linguagem nos mostra como os seres humanos vêm enxergando esses bichinhos há centenas de anos.
O nosso site se chama Alitaptap. Essa é a palavra em tagalo para vagalume nas Filipinas. Mas por que as pessoas usam tantas palavras diferentes para o mesmo insetinho? A resposta junta língua, folclore e ciência.
O ritmo do Alitaptap nas Filipinas
Nas Filipinas, a palavra para vagalume é alitaptap. Diga essa palavra em voz alta: A-li-tap-tap. Ela tem um ritmo rápido e saltitante. O som imita os piscas curtos de luz surgindo e sumindo no escuro.
No folclore filipino, as pessoas acreditavam que os vagalumes eram faíscas de estrelas caindo do céu. Histórias antigas diziam que eles protegiam árvores sagradas no fundo da floresta. Nas vilas do litoral, os pescadores procuravam o alitaptap nos manguezais ao longo dos rios. Milhares de vagalumes pousados nas árvores piscavam exatamente ao mesmo tempo. Nas noites bem escuras, essas árvores brilhantes funcionavam como faróis naturais. Elas ajudavam os pescadores a guiar seus barcos de volta para a praia em segurança.
Hoje em dia, as pessoas nas Filipinas ainda viajam até os rios de mangue para ver o alitaptap. Os insetos piscam juntos no meio das folhas escuras, parecendo luzinhas de Natal.
Minhocas de luz e fogo brilhante na Europa
Na Europa, os nomes para os vagalumes costumam focar em duas coisas bem diferentes: luz ou minhocas.
Em 7 de agosto de 2026, um membro do Alitaptap avistou um pirilampo europeu em Pont-de-Larn, na França. Em 6 de agosto, outros observadores registraram esses insetos em Choulex, na Suíça, e Gommern, na Alemanha.
Por que em inglês e outras línguas europeias alguns vagalumes são chamados de "minhocas de luz"? É que em muitas espécies da Europa, as fêmeas não têm asas. Elas não conseguem voar de jeito nenhum! Em vez disso, ficam sentadas na grama, brilhando para atrair os machos que vêm voando. Como elas rastejam pelo chão e parecem larvas gordinhas, as pessoas as chamavam de minhocas.
Em alemão, a palavra para esse vagalume é Glühwürmchen. Glühen significa brilhar e Würmchen significa minhoca pequena. Então o nome quer dizer ao pé da letra "minhoquinha brilhante".
Em francês, a palavra é luciole. Essa palavra vem do latim lux, que significa luz. Em espanhol, as pessoas dizem luciérnaga, que também vem da raiz da palavra luz.
Na Bulgária, os observadores registraram Lampyris zenkeri perto de Gega em 8 de agosto. No folclore rural do Centro e do Leste Europeu, as pessoas achavam que os vagalumes eram brasas brilhantes deixadas por espíritos da noite de verão. Histórias antigas avisavam as famílias de agricultores para não levá-los para dentro de casa. As pessoas acreditavam que esses bichinhos luminosos deviam ficar do lado de fora, nos campos.
Insetos brilhantes e leitura com luz na Ásia
Na Ásia Oriental, os vagalumes inspiram poetas, artistas e estudantes há milhares de anos.
Nos dias 8 e 9 de agosto de 2026, usuários do Alitaptap relataram a presença do vagalume Rimmed Window Firefly em Taiwan e do Pyrocoelia lunata em Hong Kong. No Japão, pesquisadores registraram o Pyropyga alticola.
Em chinês mandarim, a palavra para vagalume é yíng huǒ chóng. Yíng significa brilhante ou cintilante. Huǒ significa fogo. Chóng significa inseto. Junte tudo e você tem "inseto de fogo brilhante".
Uma história antiga e famosa da China conta sobre um estudante muito pobre que não tinha dinheiro para comprar óleo para sua luminária. Ele queria muito estudar para exames importantes. Por isso, juntou vagalumes em um saco de pano bem fininho. Ele segurava o saco sobre os livros e lia com a luz verde e suave dos bichinhos.
Essa é uma história bem conhecida sobre esforço e dedicação. Mas, na vida real, colocar vagalumes em um saco ou pote faz mal a eles. Os vagalumes precisam do ar livre para respirar e encontrar um parceiro. Hoje, os cientistas pedem que a gente observe os vagalumes do lado de fora.
No Japão, os vagalumes são chamados de hotaru. Todo verão, as pessoas se reúnem perto de rios limpos para o hotaru gari, que é a contemplação dos vagalumes. Na tradição japonesa, a vida curta do vagalume lembra a todos de aproveitar os momentos tranquilos do verão.

Espíritos da floresta e avisos no rio na América do Sul
Na América do Sul, as florestas tropicais abrigam centenas de espécies de besouros luminosos. Em 7 de agosto de 2026, membros do Alitaptap registraram Aspisoma lineatum em Macapá, no Brasil, e em Assunção, no Paraguai.
Nas tradições indígenas tupi-guarani por toda a América do Sul, os insetos brilhantes eram ligados aos espíritos da floresta. As pessoas acreditavam que as luzes eram pequenas brasas carregadas pelas árvores por protetores da noite.
As comunidades da floresta tropical também usavam os vagalumes de um jeito bem prático. Muitas espécies vivem na lama macia e úmida perto das margens dos rios. Quando os viajantes viam grupos de larvas brilhantes na grama, já sabiam que o chão pela frente era pantanoso e perigoso de pisar. Os insetos funcionavam como placas de aviso naturais ao longo dos caminhos escuros da mata.
Besouros de fogo e vaga-lumes na América do Norte
Na América do Norte, as pessoas costumam discutir sobre qual é o nome certo para esses insetos em inglês: "firefly" (mosca de fogo) ou "lightning bug" (inseto do relâmpago).
Os registros recentes no Alitaptap mostram como esses insetos são comuns em agosto. Os usuários registraram a espécie Photinus pyralis em Grand Haven, Michigan; Louisville, Kentucky; Filadélfia, Pensilvânia; e na cidade de Nova York.
Os dois nomes se referem exatamente ao mesmo inseto. A espécie mais comum no leste da América do Norte é o Photinus pyralis.
A palavra que a pessoa usa geralmente depende de onde ela cresceu. Quem mora no Centro-Oeste e no Sul dos Estados Unidos costuma dizer "lightning bug". Já quem vive nas costas Leste e Oeste costuma dizer "firefly".
Os povos indígenas de toda a América do Norte já tinham seus próprios nomes para os vagalumes muito antes de os colonizadores chegarem. Por exemplo, no idioma cherokee, eles usavam palavras como atsilsgi, ligando o inseto ao fogo e às faíscas voadoras.
Como a ciência dá nome ao brilho
Os nomes populares mudam de cidade para cidade e de língua para língua. É por isso que os cientistas usam um sistema mundial único chamado nomenclatura binominal. Eles dão a cada ser vivo um nome de duas palavras em latim ou grego.
Todos os vagalumes pertencem à família de besouros chamada Lampyridae. Essa palavra vem do grego antigo lampas, que significa tocha ou luminária.
Mesmo que os vagalumes sejam chamados de moscas ou minhocas na linguagem do dia a dia, na verdade eles são besouros! Eles têm asas dianteiras duras que se dobram sobre as costas como uma casca protetora quando não estão voando.
Os vagalumes produzem luz por causa de uma reação química dentro do seu abdômen. Os cientistas chamam essa luz de bioluminescência. Bio significa vivo e luminescência significa produzir luz.
A luz do vagalume é muito especial. Uma lâmpada da sua casa fica quente quando passa muito tempo ligada, não é? Isso é energia perdida. Mas o vagalume produz uma luz fria! Quase 100% da energia se transforma direto em luz, sem virar calor.
Protegendo a noite para todos os nomes
Não importa qual língua você fala, os vagalumes do mundo todo precisam da nossa ajuda.
A poluição luminosa é um grande problema para eles. Postes de luz muito fortes, luzes de varanda e faróis de carros dificultam que os vagalumes vejam as luzes uns dos outros. Se um macho não consegue ver o sinal de uma fêmea, eles não se encontram para acasalar e botar ovos.
Você pode ajudar os vagalumes no seu próprio bairro! Apague as luzes da varanda à noite quando não precisar delas. Deixe um pedacinho do quintal com folhas secas ou grama alta. As fêmeas dos vagalumes põem ovos na terra úmida, e as larvas caçam caracóis debaixo das folhas molhadas.
Quando você posta uma foto e a sua localização no Alitaptap, ajuda os cientistas a acompanhar os vagalumes no mundo inteiro. Seja chamando de alitaptap, Glühwürmchen, luciérnaga, hotaru ou vagalume, cada registro ajuda a manter essa luz brilhando!
