Em finais de agosto, pessoas de todo o mundo continuam a registar vagalumes no Alitaptap. Em Erfurt, na Alemanha, alguém viu um verme-luminoso-europeu. Em Midland, no Michigan, um vaga-lume brilhou perto de uma varanda. E em Sugar Land, no Texas, um vagalumes apareceu perto da Autoestrada 6. Estes pequenos clarões acontecem em quintais, parques e campos. Mas os vagalumes precisam de mais do que ar quente de verão para sobreviver. Precisam de água.
A água é uma das coisas mais importantes na vida de um vagalume. No entanto, em todo o mundo, as zonas húmidas, os bosques húmidos e as margens de riachos lamacentos estão a desaparecer. As pessoas drenam os locais húmidos para construir casas, estradas e centros comerciais. Quando a água desaparece, os vagalumes também vão embora. Para perceber porquê, tens de olhar para o que acontece debaixo do solo.
A maioria das pessoas só pensa nos vagalumes como escaravelhos voadores que brilham no escuro nas noites de verão. Mas os vagalumes adultos são apenas uma parte da história. Passam a maior parte das suas vidas escondidos como ovos, larvas e pupas. Para muitas espécies, essa fase oculta dura um ano inteiro, ou até mais.
As fêmeas põem os ovos em solo húmido, musgo ou troncos em podridão. Precisam de humidade para que os pequenos ovos não sequem e estalem. Quando os ovos eclodem, saem as larvas a rastejar. As larvas de vagalume são por vezes chamadas de vermes-luminosos. Ainda não têm asas e vivem na terra, sob a camada de folhas e perto das margens de riachos e lagoas.
É aqui que a drenagem de habitats causa grandes problemas. Se uma zona húmida for drenada, o solo rico e empapado transforma-se em pó seco. O musgo seca. Os troncos em podridão ficam duros e quebradiços. Sem humidade, as jovens larvas de vagalume não conseguem sobreviver.
Ainda pior, secar a terra destrói a fonte de alimento. As larvas de vagalume são pequenas caçadoras ferozes. Comem lesmas, minhocas e caracóis. As lesmas e os caracóis adora locais húmidos e molhados. Precisam de humidade para se deslocarem e respirarem.
Quando um pântano ou um canto húmido de um bosque é drenado para a construção, os caracóis e as lesmas morrem primeiro. Sem caracóis para comer, as larvas de vagalume morrem à fome. A água secou e os caracóis morreram, por isso as larvas não tinham nada para comer. É assim que a drenagem de habitats mata os vagalumes muito antes de crescerem asas para voar.
Podemos ver isto a acontecer em locais onde as pessoas mudam a paisagem. Quando uma área pantanosa num bairro é aterrada com terra e pavimentada, a população local de vagalumes desce para zero. Não conseguem fazer as malas e mudar-se para um novo local húmido mais à frente. Ficam presos exatamente naquele pedaço de terra.
Então, o que pode uma pessoa individual fazer em relação a um problema tão grande como a drenagem de habitats? Podes pensar que apenas os grandes governos ou reservas naturais massivas conseguem proteger as zonas húmidas. Mas podes fazer uma enorme diferença bem onde vives, a começar no teu próprio quintal ou pátio da escola.
Primeiro, podes parar de drenar o teu quintal. Se tiveres um sítio no teu quintal que fica um pouco pantanoso ou encharcado depois de chover, não tentes arranjá-lo com drenos ou poços secos. Deixa esse pedaço húmido em paz. Deixa as folhas acumularem-se nos cantos do teu quintal. As pilhas de folhas húmidas criam esconderijos maravilhosos para vagalumes, lesmas e minhocas.
Segundo, podes construir um jardim de chuva. Um jardim de chuva é uma depressão pouco profunda no teu quintal que apanha a água da chuva do teu telhado ou entrada de automóveis. Em vez de deixar a água correr pela rua até um sumidouro, ela acumula-se no teu jardim e infiltra-se lentamente na terra. Isto mantém o solo húmido e cria um mini-habitat para os insetos locais.
Terceiro, podes ajudar os cientistas a seguir o que está a acontecer. Quando vires um vagalume no teu bairro, podes registá-lo no Alitaptap. Se reparares que costumava haver vagalumes num determinado terreno baldio, mas que a cidade o pavimentou e eles desapareceram, essa é uma informação importante. Partilhar as tuas observações ajuda os cientistas a perceber onde é que os vagalumes ainda resistem e onde estão a lutar para sobreviver.
Proteger os vagalumes não se trata apenas de desligar as luzes exteriores à noite. Trata-se de garantir que eles têm um sítio húmido, lamacento e desarrumado para viver. Ao manteres um canto do teu quintal selvagem e húmido, dás à próxima geração de larvas de vagalume um lar seguro.