Quando pegas numa lanterna normal por muito tempo, o vidro fica quente. A lâmpada usa eletricidade para fazer luz e calor. Mas um pirilampo pousa no teu dedo e dá uma luz amarela bem brilhante que parece totalmente fria. Se tocasses na cauda dele na hora em que brilha, não sentirias calor nenhum. Como é que um inseto tão pequeno faz luz com o ar que respira sem se queimar?
Para descobrir como isto funciona, temos de olhar lá para dentro. Os cientistas chamam a isto bioluminescência. É uma palavra grande que significa apenas seres vivos a criar a sua própria luz. Se dividires a palavra, bio quer dizer vida e luminescência quer dizer luz. Os pirilampos não são os únicos a fazer isto. Alguns peixes do fundo do mar e pequenos animais marinhos também brilham no escuro. Mas os pirilampos fazem isto bem perto de nós, nos quintais e florestas.
No Alitaptap, as pessoas partilham relatos de insetos brilhantes pelo mundo todo. Ainda há pouco tempo, cientistas cidadãos registaram pirilampos europeus em lugares como Birkenwerder e Michendorf, na Alemanha, além de sítios em França e na República Checa. As pessoas também viram pirilampos de inverno no Canadá e no Massachusetts, e a espécie Pygoluciola qingyu na ilha de Hong Kong. Cada um destes bichos brilhantes usa exatamente a mesma receita química para iluminar a noite.
Essa receita leva quatro ingredientes principais num órgão especial na barriga do pirilampo. Pensa nesta parte do corpo como um pequeno laboratório químico. O primeiro ingrediente é uma substância chamada luciferina. É uma molécula que produz luz e fica pronta a usar na cauda. O segundo ingrediente é uma enzima chamada luciferase. Uma enzima funciona como uma tesoura pequenina ou uma ajudante que acelera as reações químicas.
O terceiro ingrediente é energia, guardada numa molécula que todas as células vivas usam para trabalhar. O quarto e mais importante ingrediente é o oxigénio. É o mesmo gás que respiras sempre que inspiras.
Quando um pirilampo quer brilhar, o cérebro manda um sinal pelo corpo. Em muitos insetos, uns tubos chamados traqueias trazem o ar de fora diretamente para o órgão de luz. Quando o pirilampo abre uma válvula, um jato de oxigénio entra no espaço onde a luciferina e a luciferase estão à espera. No momento em que o oxigénio se mistura com esses químicos, acontece uma reação rápida. A luciferase ajuda a luciferina a juntar-se ao oxigénio e à molécula de energia. Esta mistura cria uma molécula nova que fica muito agitada. Quando essa molécula acalma e volta ao normal, liberta a energia extra. Em vez de largar essa energia em forma de calor, o corpo do pirilampo transforma quase tudo em luz visível.
É um processo super eficiente. Quase cem por cento da energia transforma-se em luz. Uma lâmpada de casa desperdiça quase toda a energia em forma de calor. Se as lâmpadas fossem tão eficientes como os pirilampos, nunca ficariam quentes ao toque.
Controlar o brilho é tão engenhoso como criá-lo. Como o pirilampo precisa de oxigénio para manter a luz acesa, ele tem de arranjar maneira de a apagar. Ele não consegue simplesmente soprar a luz como a uma vela. Em vez disso, o pirilampo usa o sistema nervoso para controlar as válvulas de oxigénio. Quando a válvula fecha, o oxigénio para de passar. Sem ar fresco, a reação química para na hora e a luz apaga-se. Quando a válvula abre outra vez, o brilho regressa.
Diferentes espécies usam este sistema de maneiras diferentes. Algumas, como o pirilampo europeu que se encontra desde a Alemanha até França, dão uma luz constante e suave para atrair parceiros pela relva. Outras espécies usam padrões de intermitência rápida no ar. A reação química nas caudas é a mesma, mas o ritmo é totalmente diferente.
Os cientistas continuam a estudar estes pequenos clarões para perceber melhor como a natureza resolve problemas complexos. Da próxima vez que vires um inseto brilhante no mapa ou no teu quintal, já sabes o que se está a passar. Um sopro de ar encontra-se com um químico especial lá dentro, e um clarão de luz fria brilha na escuridão.