Uma forte névoa de outono cobre a erva húmida em Porrentruy, na Suíça, onde os observadores da Alitaptap encontraram recentemente um pirilampe europeu a descansar no frio. Bem perto desse escaravelho rastejante, um pequeno sapo comum está quietinho na lama, à espera de um inseto. A maioria das pessoas pensa na noite como um lugar sossegado onde os animais simplesmente adormecem até de manhã. Na realidade, a escuridão é um bairro muito movimentado, cheio de bichos que usam as sombras para caçar, esconder-se e encontrar-se. Tal como os pirilampos que mapeias na Alitaptap, muitos outros animais noturnos partilham este mundo escuro e enfrentam os mesmos perigos quando as luzes humanas se acendem.
Enquanto os pirilampos usam sinais luminosos para falar com os seus amigos, os animais noturnos como as rãs usam o som, o tato e o olfato para se deslocarem nas mesmas horas escuras. Podes perguntar o que é que uma rã tem a ver com um pirilampe. Ambas as criaturas dependem totalmente dos ciclos de escuridão natural para sobreviver, caçar e reproduzir-se. Quando os candeeiros de rua ou as luzes das portas inundam um jardim com claridade, isso estraga o ritmo diário tanto do escaravelho que pisca como do anfíbio que caça. Perceber como as rãs e outros vizinhos vivem no escuro ajuda-nos a ver porque é tão importante manter os nossos bairros escuros à noite para proteger os pirilampos.
1. Um esconderijo subterrâneo secreto
Muito antes de um pirilampe subir a uma folha de erva para acender a sua luz, ele passa meses ou até anos a viver debaixo de terra como larva. Durante esta fase escondida, caça caracóis e minhocas na terra húmida. As rãs têm exatamente este mesmo hábito subterrâneo. Quando o tempo fica frio ou seco, muitas rãs enterram-se na terra ou escondem-se bem no fundo sob troncos podres e folhas caídas. Elas entram num descanso profundo chamado hibernação, ficando totalmente paradas até o tempo aquecer outra vez. Tanto as larvas de pirilampe como as rãs locais dependem de uma manta grossa de folhas e terra solta para se protegerem da geada. Se um jardim for pavimentado ou limpo de restos naturais, tanto os bebés escaravelhos como as rãs escondidas perdem as suas casas subterrâneas seguras.
2. Pele escorregadia e corpos sensíveis
As rãs têm uma pele suave e molhada que lhes permite absorver água e oxigénio diretamente do ambiente. Isto torna-as muito sensíveis a mudanças no seu habitat. Os pirilampos também têm corpos delicados, especialmente na fase de larva quando rastejam pela lama húmida e folhas. Como ambos os animais vivem perto do chão, são os primeiros a sofrer quando se usam sprays químicos ou pesticidas nos jardins dos bairros. Quando os químicos entram na terra, envenenam os caracóis que os pirilampos comem e magoam a pele húmida das rãs. Um jardim saudável precisa de estar livre de produtos fortes para que estas duas criaturas possam andar em segurança.
3. O perigo comum da luz artificial
Quando a noite cai, as luzes humanas acendem-se e espalham um brilho forte por quintais, ruas e parques. Para um pirilampe que tenta enviar um sinal para acasalar, um candeeiro brilhante é como alguém apontar uma lanterna diretamente aos teus olhos. As rãs têm um problema muito parecido. Muitas rãs noturnas usam a escuridão natural do céu para guiar os seus movimentos e encontrar insetos para comer. As luzes artificiais enganam o relógio interno delas, fazendo-as ficar escondidas durante demasiado tempo ou baralhando o seu instinto de caça. Quando as luzes da rua tapam a escuridão natural, tanto os pirilampos como as rãs têm dificuldade em encontrar comida e parceiros para manter as suas populações vivas.
4. Predadores na erva
Na teia alimentar da noite, nem todos os vizinhos são amigos. Embora uma rã possa parecer inofensiva a descansar junto a um lago, ela é na verdade uma caçadora atenta. Se um pirilampe europeu ou outro pirilampe passar por um sapo faminto, a rã pode apanhá-lo para um petisco rápido. Os pirilampos têm químicos amargos no corpo que normalmente afastam os predadores, mas as rãs jovens ou desesperadas acabam por comê-los na mesma. Esta relação entre predador e presa mostra como estes animais estão ligados. Eles partilham os mesmos sítios com erva, terra húmida e margens de rios em lugares como Inglaterra, França e Suíça.
5. O que isto significa para os pirilampos
Quando olhamos para um mapa de avistamentos da Alitaptap, estamos apenas a ver uma pequena parte de um puzzle muito maior. Os pirilampos não vivem sozinhos num vazio. Eles partilham os rios, prados e cantos dos jardins com morcegos, traças, aranhas e rãs que vivem no chão. Proteger os pirilampos significa proteger todo o ambiente noturno de que eles dependem. Quando as vilas e cidades apagam as luzes de exterior que não são necessárias, param de usar sprays químicos fortes e deixam manchas de folhas selvagens no chão, estão a ajudar dezenas de animais noturnos ao mesmo tempo. Ao mantermos os nossos bairros escuros e naturais, garantimos que tanto o pirilampe que pisca como os seus vizinhos anfíbios têm um lugar seguro para viver.